Mário Silésio




Construção
guache
1954 - 15 x 11

Sem título
ostse
- 60 x 140


Currículo Resumido

Mário Silésio (Pará de Minas MG 1913 - Belo Horizonte MG 1990)

Pintor, desenhista, muralista e vitralista.

Mário Silésio de Araújo Milton cursou direito na Universidade de Minas Gerais - UMG (atual Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG), em Belo Horizonte, entre 1930 e 1935. Estuda desenho e pintura na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte (Escola Guignard), sob a orientação de Alberto da Veiga Guignard (1896 - 1962), entre 1943 e 1949. Em 1953 viaja para Paris, como bolsista do governo francês, e ingressa no curso de André Lhote. De volta ao Brasil, entre 1957 e 1960 executa diversos painéis em edifícios públicos e privados de Belo Horizonte, como Banco Mineiro de Produção, Condomínio Retiro das Pedras, Inspetoria de Trânsito, Teatro Marília, Escola de Direito da UFMG e Departamento Estadual de Trânsito - Detran. É também de Silésio o mural feito para o Clube dos Engenheiros, em Araruama, Rio de Janeiro. Executa os vitrais da Igreja dos Ferros em 1964.

Durante os anos 1940, Mário Silésio estuda desenho e pintura com Guignard (1896- 1962), na então Escola de Belas Artes, hoje Escola Guignard, em Belo Horizonte. É através dele que Silésio descobre as obras de Paul Cézanne (1839-1906) e Henri Matisse (1869-1954). Porém, a descoberta mais importante desse período, também proporcionada pela Escola, seria o cubismo, que dá ao artista o impulso para sua trajetória rumo à abstração de caráter geométrico. A figuração que Silésio pratica até então se fragmenta gradualmente, buscando a síntese cubista. Sua obra alcança, no início dos anos 1950, a pura abstração geométrica, como na tela Construção nº 5, 1957. Também a partir dos anos 1950, sua pintura encontra expansão nos grandes painéis que realiza para edifícios públicos em Belo Horizonte, integrando-se à paisagem.

O crítico Marcio Sampaio observa que para Mário Silésio - como mais tarde, em outro nível, para os neoconcretistas brasileiros - a forma não deve nunca nascer de uma simples operação matemática, desprovida de espírito e de emoção. É nesse sentido que o trabalho de Silésio, em certo momento, revela um gosto pelas formas circulares impregnadas de luz e de sensibilidade lírica.

Nos anos 1970, o artista retoma em parte a figuração, pintando naturezas-mortas ou paisagens, porém num registro geométrico, como em Paisagem, 1986. Para Sampaio, grande parte da obra de Silésio se acha marcada pela forte presença de uma estrutura arquitetural "amarrando" a composição. 


"As obras recentes, marcando o momento de maturidade plena - artística e existencial - do artista, realizam-se em equilíbrio e densidade, uma certa gravidade que não descarta, contudo, do prazer lúdico, nem das inquietudes. Sua organização, sua consistência poética alimentada pelo completo domínio técnico e uma mais depurada sensibilidade cromática repõem um vigor e uma juventude, uma surpreendente vitalidade. Essas obras, diferentemente das pinturas afins de períodos anteriores, encaminham-se para um novo plano em que os elementos temáticos (casario, vasos, garrafas, copos...) reduzidos e fragmentados por uma luz incisiva, estabelecem um novo espaço - metafísico - de inquietante poesia. Ao considerar e eleger como tema essas coisas comuns do cotidiano, soube Mário Silésio delas extrair um sentido maior: reduzindo-as à essencialidade, desvelou a face sagrada de sua própria existência. Nesse processo - sob a poética construtiva - o artista cria uma tensão de forças tendendo à verticalidade ascendente, ao passo em que, recompondo os objetos na sua extrema síntese, faz nascer deles - das rearticulações de seus fragmentos/cor sobre ricas ordenações de planos, recompondo o mundo em signo. E seu definitivo equilíbrio".
Márcio Sampaio
MÁRIO Silésio. Belo Horizonte: Palácio das Artes, 1987.


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