Mariana Palma





Currículo Resumido

Mariana Palma (1979)

Mariana Palma nasceu em São Paulo, ingressando no curso de bacharelado em artes plásticas, em 1998, da Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP, concluindo o mesmo em 2000. A artista já realizou exposições individuais em Florianópolis, no Museu Victor Meirelles, em Recife, no Instituto de Arte Contemporânea, em Curitiba na Fundação Cultural, em Ribeirão Preto no Museu de Arte e em São Paulo, na Galeria Casa Triângulo. Em 2006 participou de sete coletivas, dentre elas Rumos Artes Visuais. Nos anos anteriores, suas obras já puderam ser apreciadas em 21 exposições coletivas. Mariana Palma recebeu algumas premiações: Prêmio Exposição Individual do SESC Ribeirão Preto (2003), Prêmio Aquisição do Museu de Arte Contemporânea de Campinas, Prêmio do Museu de Arte de Ribeirão Preto, da Casa do Olhar em Santo André em 2003,2005 e 2006 respectivamente. Participou de projetos com Albano Alfonso, Sandra Cinto, Eduardo Brandão e cursos ministrados por Nelson Leirner, Iole de Freitas, Carlos Farjardo, Rodrigo Naves, Paulo Pasta entre outros. Mariana Palma é uma artista que dialoga com o mundo das cores em suas aquarelas e pinturas, se entorpece dele, com uma riqueza de detalhes impressionante.

Críticas

Conheci o trabalho da Mariana no começo dos anos 2000 em exposições como a Bienal de Santos e o Salão de Arte de Ribeirão Preto. Eram pinturas enigmáticas que mesclavam paisagens, fragmentos da figura humana e camadas e camadas de tecidos de todos os tipos. As telas eram algo assim como uma combinação da padronagem matisseana com a tradição do grotesco e do informe.

Anos depois desse primeiro embate vim a conhecer a produção em aquarela da artista, coincidentemente em uma outra edição do Salão de Arte de Ribeirão Preto, em 2004. Os trabalhos me pareceram uma depuração da linguagem que Mariana vinha desenvolvendo na pintura: ali estavam os híbridos de pele, tecido e figuras orgânicas, desta vez animais (ossos, pêlos, chifres, teias), tudo alinhavado por um cuidadoso requinte decorativo, na melhor acepção do termo.

No desenho, o discurso da artista tornou-se mais vigoroso e também mais cristalino. Ali, a gente percebia a que ela veio. E a seqüência da história não poderia ser mais coerente: Mariana Palma entrou para o time da prestigiada galeria Casa Triângulo, onde realizou exposição individual em 2005, foi selecionada para o Rumos Itaú Cultural de Artes Visuais em 2006 e vem sendo considerada no circuito de arte contemporânea uma das maiores promessas da geração 2000.

A coisa ficou mais instigante quando reencontrei a Mariana pintora em exposições como a Paralela 2006 e a própria individual na Casa Triângulo. O que aconteceu com a pintura dessa artista?, me perguntei algo assombrada. O que havia nas telas de anos atrás em potência, depois da maturação da poética no processo de criação de vastas séries de aquarelas, transformou-se em uma das linguagens pictóricas mais poderosas da arte brasileira atual.

As superfícies sedutoras que retratam um amálgama de casacos de pele, padrões têxteis, ornamentos e ruídos de humanidade (marcas, vincos, vestígios de presença, evidências da ausência) fascinam ao mesmo tempo em que repelem. Não há mais espaço para fragmentos de paisagem onde o olhar possa descansar: a pintura é asfixiante, tomada inteiramente pelas texturas representadas com virtuosismo, como se a artista tivesse feito um zoom nas telas iniciais e escolhido apenas o amontoado informe de roupas e corpos.

Nos desenhos, vemos essa lógica invertida. Em vez de a superfície do papel estar preenchida por completo, há mais brancos e vazios do que formas desenhadas. No lugar da asfixia, há morbidez: somos atraídos para ver de perto a imagem delicada e, uma vez ali, cara a cara com o avesso de todas as coisas, fisgados pelo “real” (aquele entendido como “retorno do reprimido”, segundo Lacan e também Hal Foster, na esteira dele), vislumbramos uma fissura de vida. Eu, pelo menos, sim. 
Juliana Monachesi 
Cara a cara com o avesso de todas as coisas.

Mariana Palma cria uma pintura singular e poderosa. Daquelas raras que a gente bate o olho, tenta seguir adiante e não consegue. O olho é capturado para esse vórtice de cores e planos caleidoscópicos. Nunca mais vai ficar saciado de examinar as detalhadíssimas superfícies coloridas, que assumem com coragem e despudor a heresia contemporânea de realizar algo belo.

A beleza é uma ferramenta para a percepção. A artista acredita e gosta de ser gentil com o olhar dos outros, de conquistá-lo para olhar mais e melhor. Uma eficaz articulação de fragmentos estrutura sua linguagem pictórica, que age pelo contraste ou pela harmonia, seja com cores ou planos, texturas ou perspectivas. Assim, faz  o olhar ir e vir da epiderme ao último plano de tinta. Tudo tem presença própria e, em igual medida, soma-se a um conjunto.

Está claro que Mariana não tem paciência com precariedades cultivadas por cálculo ou despiste de carências técnicas. Tem radical persistência, isso sim, para buscar o domínio das ferramentas do ofício. Uma pintura sedutora, aliás, não significa uma pintura fácil. Mariana Palma enfrenta com inteligência o desafio da pintura a óleo pós-Matisse, o que não é pouca coisa. São marcantes suas telas de recortes de estampas, panejamentos de tecidos multicores, elementos que ganham congruência pela sutil afinação de cores.

O acúmulo não é um excesso mas um exercício de equilíbrio. A raiz barroca é nítida. O cromatismo certeiro denuncia convívio com a história da pintura e, em especial, com os mestres flamengos. As coisas vistas de muito perto denotam a raiz contemporânea da imagem, contaminada pelo close e o zoom da máquina fotográfica. A fragmentação aponta outra característica da contemporaneidade: a avalanche imagética e a impossibilidade de se ver a totalidade das coisas mas apenas um pouco de cada vez.

A nova série de trabalhos, de visualidade verticalizada, refina e renova uma prosaica técnica de decoração de papéis: a marmorização. Sinuosidades de tintas, obtidas pela flutuação de pigmentos na água, geram padrões que são aplicados e sobrepostos em faixas ritmadas no espaço. É um tributo à abstração informal, cheio de frescor e ausência de preconceitos de quem não crê no apartheid entre fine arts e artes aplicadas.

As aquarelas parecem acelerar o olhar. Capta-se a totalidade da imagem de um golpe, mas a estranheza do que é visto também exige exame acurado. Sínteses vegetais improváveis remetem à dualidade masculino/feminino, em combinações de carga erótica a lembrar a taxonomia botânica dos artistas viajantes, que representaram o Novo Mundo no século XVI. As relações afetivas da contemporaneidade, outro novo mundo, são férteis em hibridismos e avessos a classificações rígidas, parece apontar a bela série de trabalhos. Trata-se de uma exposição que afirma a consistência técnica e poética de uma pintora jovem que já conquistou protagonismo na cena atual.
Angélica de Moraes
Olhar Desacelerado

Formação

1998-2001
Bacharelado em Artes Plásticas - FAAP - São Paulo Exposições individuais

Exposições Individuais

2012
Deságue, Galeria Casa Triangulo, São Paulo, SP

2010
Mariana Palma - Desenhos, SESC, Ribeirão Preto, SP

2009
Mariana Palma - Casa Triângulo - São Paulo

2008
Anestesia para Transformar, Galeria Märio Sequeira, Braga, Portugal

2006
Mariana Palma, Museu Victor Meirelles, Florianópolis, SC
Mariana Palma, Instituto de Arte Contemporânea de Recife, Recife, PE
Mariana Palma, Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba, PR
Mariana Palma, Museu de Arte de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, SP

2005
Mariana Palma, Casa Triângulo, São Paulo

2004
Paisagem de Delírio - Ateliê Aberto
Campinas - Sp
Mariana Palma, SESC Ribeirão Preto, SP


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