Fulvio Pennacchi




Virgem com menino
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1986 - 30 x 20
Obra registrada no Instituto Fulvio Pennacchi


Currículo Resumido

Fulvio Pennacchi (1905 - 1992)

Villa Collemandina - Garfagnana Toscana, Itália 1905 - São Paulo SP 1992.

Pintor, ceramista, desenhista, ilustrador, gravador, professor.

Biografia e História

Italiano de nascimento, este artista de grande e variada capacidade produtiva formou-se em Lucca e em Florença tendo estudado com Pio Semeghini, um poeta da luz que apesar de seduzido pela Paris pós-impressionista foi capaz de reinventar sua memória rebatendo o plágio. Com sua orientação Pennacchi desenvolveu sua capacidade de contemplação penetrante que transmutava em uma imagem firme e precisa sem sinal de fadiga ou incertezas.

Armado com a seriedade da pintura acadêmica participa da onda de grande patriotismo puro fundada sobre as obras dos grandes pintores do Trecento e Quattrocento; conseguiu entender e reunir as concepções artísticas próprias da Paris pós-impressionista compreendeu bem o significado do parêntesis cubista, futurista e do intelectualismo metafísico e se preparou para produzir uma pintura de matriz clássica que, segundo o próprio Pennacchi, devia ser caracterizada pela precisão do traço e da forma além da decisão  no uso das cores. Se quisermos podemos dizer que sua fórmula estética desse novo classicismo era reduzida a idéias claras, proporção, modéstia e bom senso.    

Conhecia a fundo os antigos mais representativos dos primitivos italianos e a espiritualidade, sobriedade e dignidade o aproximava a Masaccio e Giotto[1]; do Novecento[2] herdou a relação espacial e volumétrica que representará, após muitos estudos, em suas paisagens através da solidez dos muros, da maciça geometria das casas e das figuras e da ancoragem das figuras a terra[3].

Tendo sido obrigado a abandonar a Itália dos megalômanos por não concordar com a obsedante, facciosa e totalitária direção imprimida pelo fascismo[4] que, pouco a pouco dominando todos os aspectos da vida quotidiana italiana, determinara que também através da arte se fizesse a exaltação do regime, Pennacchi chegou ao Brasil em 1929, diplomado no curso superior de arte mural do Real Instituto de Arte Passaglia, iniciando sua longa carreira artística que, entre nós, perdurou por mais de 60 anos, tendo sido amplamente reconhecida pelo público, entes governamentais e pela crítica.

Aqui chegando, revitalizou a técnica do afresco, do qual se tornou seu maior expoente, conseguindo um novo híbrido: o feliz casamento entre a tradição, o modernismo, os valores clássicos e o gosto contemporâneo. A tradição era representada pela releitura dos valores volumétricos e espaciais dos pintores italianos do ‘300 e ‘400 que, aos claros e elementares volumes geométricos do ‘300, haviam juntado a perspectiva, possibilitando o aparecimento de uma arte monumental, distintamente presente nos afrescos da Igreja de NS da Paz e nos de grandes proporções.

Sem nunca abandonar o desenho[5] e a pintura de cavalete, na serenidade de seu ideal de maneira sintética e poderosa, decidiu-se, em 1937, pela pintura mural; primeiramente a óleo para em seguida dedicar-se o affresco[6], com extraordinário resultado artístico e sucesso crítico. A fase muralista duraria até 1959[7]. Ele havia trazido da Itália os valores relativos para a constituição de uma obra unitária e harmoniosa onde a arquitetura, o ambiente, a decoração e os elementos gráficos deveriam fundir-se num projeto a muitas mãos.

É claro que Pennacchi havia ponderado sobre a importância de trabalhar concomitante ao nascimento de uma arte proposta pelos artistas unidos sob a égide do Novecento e sua produção artística daquele período demonstra que ele havia aceitado de fazer parte daquele movimento. Mas, oriundo de uma família da qual havia herdado profundos valores cristãos, Pennacchi era mais fascinado pelo milagre da vida e grandiosidade da Criação do que pelo mito adulto do classicismo romano e ao mesmo tempo absolutamente contrário a quem pudesse apoiar a pintura pequeno-burguesa do último Ottocento. Ele mesmo escreveu que, quando da sua chegada ao Brasil, preferia viver muito modestamente que adaptar minha arte ao gosto da burguesia local.

Com apenas 36 anos produz uma obra prima: trata-se do projeto arquitetônico e dos monumentais afrescos da Igreja de Nossa Senhora da Paz, para a qual concebeu um projeto com a releitura do estilo românico para a construção propriamente dita e adotando os princípios do “rappel à l’ordre[8]”, reelaborou o estilo primitivo italiano do Tre e Quattrocento pintando afrescos que através do sóbrio equilíbrio dos espaços cheios e vazios, harmonizam-se à monumental concepção dos grandes arcos e da transcendência dos planos, criando a pintura das verticais em contraste com a pintura a peso das cores[9]. Tudo muito simples; de gosto moderno com sabor de antigo onde o ritmo geométrico encerra com discrição cada figura ou cada elemento de figura.

Porém, seus temas prediletos são os retirados do cotidiano, pouco heróicos, às vezes dolentes, mas sempre persuasivos que faziam contraponto ao celebrado, icônico, simétrico e simbólico “estilo lictório” de Piacentini que tentaria imortalizar através de uma falsa solenidade e severidade, o falso classicismo; criando, ao invés de uma legítima releitura, uma caricatura, tão bem apontada por Malaparte, Rivera, e recentemente, por Botero.

A produção concomitante de esculturas em terracota propiciou, a partir dos anos 50, tendo como ponto de partida os estudos das terras e argilas locais, uma obra cerâmica de característica única – inimitável!

Seu percurso artístico no Brasil sempre contemplou a atividade humana e através dela sua homenagem à Criação e ao “divino que todo o ser humano contém”. O volume e o claro-escuro dos anos 20/30 que fora utilizado como resposta à superfície sem perspectiva do cubo futurismo dos seus anos formativos, foi paulatinamente substituído pelo figurativo e pelas cores presentes nas “Fontainebleau e Barbizon” tropicais.

Homem reservado, mas de grande cultura, também se expressava através da poesia, que por não se preocupar com estilos e rimas, conseguia imprimir aos seus escritos ritmos musicais e ondulados. O texto, por sua vez, sempre demonstrou a rara qualidade do artista ter consciência do alcance filosófico de sua arte.

Nossa herança: Como homem, Pennacchi, nos deixou o exemplo de uma vida em constante construção, pautada por coragem e caráter sem recuos, trabalho, perseverança na busca e conquista de seus ideais, amor a Deus e ao seu próximo. Como artista, nos transmitiu uma obra em que estavam presentes os arquétipos da sua tradição toscana, a rigorosa e séria releitura da tradição classicista, aliadas às profundas reflexões sobre a Criação.

Florilégio

Pennacchi é uma figura emblemática de imigrante italiano; exuberante de valores humanos e espirituais, que sem nenhum desânimo soube suportar e superar as enormes dificuldades encontradas no seu primeiro impacto com uma sociedade diferente e a ele indiferente.

Sociedade que ele, como bom cristão, não renegou nem desprezou; pelo contrário, procurou entendê-la, e com força de vontade, nela inseriu-se, orgulhoso da sua identidade cultural, confiante de poder encontrar pontos comuns, sobre os quais assentar suas energias e desenvolver sua criatividade.

E o ponto em comum foi aquele dos valores humanos e espirituais das pessoas humildes e simples que, como ele, lutavam pela vida, e de todos aqueles que, através dos dons da própria condição social, os haviam transformado em meios de promoção humana.
Padre Francesco Milini , C.S.
Abril, 1986.

"A lição mais valiosa sobre a boa pintura é a de concentrar-se no estudo consciente"
Fulvio Pennacchi.

... eu desconhecia muita coisa sobre pintura. Pennacchi ensinou-me, então,
até sobre arquitetura, pois ele tinha um aprendizado muito bom, feito na Itália,
e pintava há muitos anos, desde antes de 1930... saíamos juntos para pintar paisagens do natural e,  enquanto pintava, Pennacchi falava com muita humildade sobre sua pintura.  Essa humildade ele conservou para sempre,
contrastando com a grande presença e força de sua pintura.
Francisco Rebollo Gonçalves, 1935.

... o jovem e valoroso pintor italiano, ao contrário de outros, não dramatiza em tons violentos a obscura miséria dos homens, mas procura idealizá-la numa atmosfera superior, quase religiosa. Os operários e camponeses de Pennacchi não são revoltados contra o próprio destino nem contra ninguém...

... é um pintor religioso não porque gosta de pintar episódios sacros, mas por esse senso místico que transparece das suas composições sempre admiráveis na distribuição equilibrada e na técnica francamente moderna.

... ele pertence aos poucos que sabem confundir a materialidade da forma modernamente realizada numa atmosfera nova, irreal sem ser romântica, mística sem ser obediente a nenhuma convenção eclesiástica.

... um delicado poeta de vigorosa imaginação, um idealizador da vida anônima e simples, um artista que na plástica das figuras sabe admiravelmente interpretar os sentimentos íntimos dos personagens representados. Pennacchi constitui, assim, uma rara exceção no campo das artes, seu atelier e suas obras são um oásis repousante no caos da pintura contemporânea que nele conta uma das suas expressões mais completas, mais originais e mais sinceras.
Franco Cenni, 1936.

... as pequenas obras, preciosidades que Pennacchi expôs nas Arcadas, foram muito admiradas e não foram poucos os pintores maduros e sérios que diante delas pararam e refletiram demoradamente...

... desenhadas com a nitidez comparável à de um escritor com larga capacidade descritiva, estas cenas campestres têm como componentes intrínsecos algo de antigo e muita intensidade realística onde a policromia dos céus, as curvas dos montes refletem uma aparência suficientemente mística e profunda a ponto de imaginarmos um mundo fecundado por um novo dilúvio que o fez renascer com maior harmonia e rutilo como se fosse o resultado de uma rajada de um cataclismo cósmico.

...Pennacchi situa-se entre os artistas que conciliam fontes da pintura maior de outrora e controladas infusões da plasticidade moderna. Observou-se a importância da figura na sua obra. A própria paisagem funciona nele não como um ato estético em si, mas como plano cenográfico inseparável do ser que a povoa e transforma.

Suas composições com múltiplos personagens são uma herança toscana de formas e planos que constroem um espaço perspéctico equilibrado. Resultam no principal do desenho ágil, mas ele faz prova também de sofisticados conhecimentos cromáticos e materiais.
Francesco Piccolo, 1936.

...melhor vou me acercando de seu espírito em que vejo uma ancia
animando um caminho de renovação...
acho que existe em sua pintura muito de Modigliani e de Kisling,
mas você é sempre um Pennacchi liberto e interessante.
...agora estou certo de seu definitivo triunpho proximo.
Jorge de Lima, Outubro, 1937.

... um contínuo e perfeccionista labor de muralista marcou a produção de Pennacchi, atraído pelo humanismo quatrocentista.

... Pennacchi singulariza-se, de um lado, pela influência definitiva que, quando jovem, recebera da antiga pintura toscana; e, de outro, por sua temática contraponteada entre assuntos sacros e profanos.

A ênfase colocada na figura humana distingue-o, ainda, da maior parte dos santelenistas, mais dirigidos à paisagem.

O elemento paisagístico tem nele importância,  mas o artista reserva-o essencialmente para uma função de apoio.

... o Grupo Santa Helena, uma reunião espontânea de trabalhadores humildes,
quase todos semi-operários da área da comunicação visual,  inteiramente à margem do processo oficial e elitista em que se desenvolveu o modernismo brasileiro.

(...) é a afirmação de uma grande personalidade. Seus quadros espirituais e expressivos constituem magníficas interpretações de estados de alma, especialmente do sentimento religioso.
A Gazeta, 1944.

(...) é digno de nota que nas naturezas-mortas apresentadas o exercício do claro-escuro preste um auxilio verdadeiramente notável.
Com esse auxilio o pintor dá aos seus quadros, dentro de uma aderência de colorido, volume e desenho livre, uma profundidade plástica de maestria realmente admirável.
Quirino da Silva, 1944.

(...) é inegável, porém, que o artista sabe como poucos compor um quadro. E que se sente à vontade tanto nas grandes como pequenas composições. Não é nem de longe um pintor banal e, sim, um profissional que conhece bem seu instrumento de trabalho e que dele se serve com desembaraço e arte.
Ciro Mendes, 1944.

Fulvio Pennacchi é um artista bastante conhecido entre nós. A pintura mural afresco, de caráter religioso, foi por ele iniciada na Igreja da Paz. Essas famosas decorações bastam para imortalizar o nome do jovem pintor. (...) muito embora a maioria de trabalhos de Pennacchi seja de caráter religioso, contudo, percebe-se que ele também sente nossas paisagens rurais com bastante emoção.
Doutor Osório César, 1944.

(...) a mais interessante é, sem dúvida, a do pintor Fulvio Pennacchi. Sobretudo pela nota que melhor a caracteriza, a alta espiritualidade das composições.

Pennacchi é artista de talento e de grande personalidade. Não é um realista, preocupado em reproduzir a natureza tal como a vemos, mas um interpretativo que dá expressão a idéias e sentimentos.

Para realizar essa obra, Pennacchi foge dos processos convencionais sem cair nos excessos do modernismo, conciliando o clássico e o moderno, a fim de chegar à forma de expressão adequada a sua personalidade... e consegue plenamente seu intento, numa série de excelentes trabalhos que o coloca entre os verdadeiros valores da moderna pintura paulista.

(...) um pintor atento aos problemas da pintura, atacando com pureza as naturezas-mortas e as flores.

(...) afastada a fórmula cômoda, o pintor alcança soluções sutis, gostosas de muito bom gosto. Há ainda que louvar seu desenho consciencioso e que constitui, talvez, a melhor qualidade deste pintor que expõe com êxito no prédio da Itá.
Sergio Milliet (da Costa e Silva), 1944.

Fulvio Pennacchi é pintor.
Sua obra, mormente o mural, o afresco, revela que sua consciência artesanal não foi adquirida atravésde louvores e permissões fáceis.
Quase que uma vida entregue ao trabalho consumi pintor. Inacreditáveis tropeços pautaram a sua árdua caminhada pictórica,
enquanto alguns de sua geração aderiram à mistificação.
É bem mais cômodo, mais fácil, até rendoso atender à solicitação vanguardeira...
Quirino da Silva in, Diário de São Paulo, 06.12.1944.

(...) há muito Pennacchi não expõe. Durante todo esse tempo esteve afastado do alarido que a improvisada crítica vinha fazendo com os seus ‘artistas prediletos.Agora não é mais possível mantê-los no cartaz, pois começou uma criteriosa revisão de valores

(...) assim, os verdadeiros artistas começaram a reaparecer, como que a dar conta ao colecionador e ao público do que fizeram durante todo esse tempo em que referveu a bambochada.

(...) a Pennacchi muito deve, também, a chamada arte moderna em nossa terra”.
Quirino da Silva, 1964.

(...) a retrospectiva de um artista é história. O pintor que hoje honramos já está naquelas páginas. Artífice de afrescos, ilustrador da vida dos povoados do interior,do tempo em que para lá viajava, retratista, ceramista, mestre.

(...) dono de um profissionalismo escrupuloso, laborioso, sem lazer, isolado e forte no esquivar-se aos fáceis barulhos da publicidade tamborejante e fastidiosa, renunciando aos compromissos não cabíveis com a própria consciência, perseguindo firme seus ideais morais,

Fulvio nos faz pensar naqueles artistas de sua terra natal que, honestos e persistentes, atenderam ao trabalho sem se impressionar se seus modos podiam parecer superados.
Pietro Maria Bardi, 1973.

(...) quando da sua retrospectiva foi fácil, a todos que duvidavam da força de sua obra, conhecer um pouco da capacidade realizadora desse artista incansável na feitura de uma criação angelical com base no nosso próprio regionalismo... são pinturas de mestre, de conhecedor profundo do que é composição.
Ivo Zanini, 1973.

Transmite nas cenas religiosas o humano dos santos, não para diminuí-los na sua santidade, mas para irmaná-los aos homens.
Aldo Bonadei, 1973.

... a pintura de Pennacchi não é nem realística nem primitiva à maneira desenvolta de tantos fingidos ingênuos que dela aproveitam para disfarçar sua congênita incapacidade de pintar: é uma transfiguração poética da realidade.

... num feliz contexto de cores, gestos e atitudes dos quais brotam imagens interiormente recriadas das coisas observadas uma meditada harmonia induzida na desordem incônscia dos aspectos naturais.
Esta é, e sempre foi, a essência da arte.
Emilio Mazza, 1973.

Vai ter momentos de fé e de poesia:
uma exposição de 27 quadros do Pennacchi,
que não constam do catálogo porque
é uma homenagem da Collectio ao artista.
Almoço Campestre ,uma obra que Pennacchi pintou em 1939, que é um almoço depois de uma colheita,
mas que inspira o mesmo respeito de quadros sacros
 da Santa Ceia, é uma dessas obras.
Collectio in O Estado de São Paulo 26.08.1973.

O ouro da medalha que ora outorgamos deve ter o significado de grande lição. Na inquietante atmosfera do mundo moderno,
aquela (a medalha) ensina a todos
como foi feito ontem, como se faz hoje
e como se fará inegável e inexoravelmente ainda amanhã...
como conquistar um ideal,
a obrigar a vida a dizer sim quando esta nos diz não,
a contornar as dificuldades, superar as mesquinharias da vida,
remover os obstáculos... conquistar o sucesso passo a passo!
Ministro Togni, Lucca, Agosto de 1973.

A Galeria Alberto Bonfiglioli começa
muito bem o ano de 1974
com esta exposição, quase um documento
na vida artística de Pennacchi... .
exposição que se afirma não só pela diversidade dos temas
e técnicas que apresenta, como também pela dimensão humana de que se reveste.

...Sugerindo quase sempre a forma pela cor consegue,
desprender-se do desenhista que é, pressentido pelo observador,
na riqueza de detalhes da composição... .
Alcança a plenitude pictórica na presença marcante do clima captado pela cor, afinadamente, num estudo detido das atmosferas,
próximo do puro ecológico.
Lucio Galvão in, Natureza marca obra de Pennacchi,
O Estado de São Paulo, Março de 1974.

Fulvio Pennacchi é a modéstia em pessoa.
Considero sua obra e sua pesquisa em arte mais importante que o destaque social. Conscientemente colocou-se na penumbra,
oferecendo aos homens
o brilho de suas obras que sempre rendeu a Deus.
Jornal de Brasília, 30.08.1974.

...depois de estudarem desde 1973, uma mistura de argilas e corantes metálicos e um processo de queima que não quebrasse ou entortasse os finos painéis...acima de tudo, o que ressalta de seus painéis luminosos, das serenatas em Diamantina às procissões de Ouro Preto,  é o resultado de uma laboriosa e impecável técnica, aliada ao homem e a paisagem brasileira
Revista Veja, Setembro, 1975.

Pennacchi: pela primeira vez em Santos
Lirismo, pureza, esperança, harmonia e serenidade...
tudo isso nos transmite Pennacchi através da sua obra...
tantos nos grandes como nos pequenos trabalhos!
Cidade de Santos, 11.09.1977.

... a exposição que Pennacchi inaugura esta noite
atesta os traços sensíveis
(...) embora nascido na Itália, Pennacchi se apaixonou pelo país de adoção
a ponto de o representar quase que sistematicamente em sua obra ...
de um artista que logo assimilou a vivência à brasileira,
captando todo o colorido e as cenas domésticas  dos brasileiros,
especialmente suas tradições folclóricas.
Ivo Zanini, Abril, 1979.

... mas ele me levava até Nossa Senhora da Paz, bela Igreja, de um moderno imperecível (acho que a construção é dos anos 40), dotada de um campanário de leveza e arrojo românticos e de afrescos de Fulvio Pennacchi que me comovem bem mais do que qualquer São Francisco de Portinari
Mino Carta in, São Paulo se renova, apesar dos poderosos - Folha de São Paulo, 21.01.1982.

A salientar o amplo domínio do desenho, a harmonia das cores e a riqueza de detalhes em sua obra:
Apesar de explorar temas primitivos, ele não pode ser classificado como naïf , pois suas figuras não tem qualquer anormalidade e sua habilidade técnica é sempre visível.
Marchand Roberto Camargo in, Visão, Julho, 1985.

Pennacchi é, nos últimos vinte anos, um lírico fabulador... delicado, suave, levemente colorido!Seria inteiramente errado, entretanto, confundir sua delicadeza, suavidade e lirismo com qualquer tipo de ingenuidade primitiva. Fulvio Pennacchi é um pintor sabidíssimo, no melhor sentido da palavra. Sua simplicidade é a opção de quem domina completamente o metiê.
Olívio Tavares de Araújo; “Suaves Filigranas de um Mestre”, abril, 1980.

Gosto muitíssimo da luminosa simplicitas de Pennacchi: o seu modo de ver e mostrar as coisas.
Josef Piper, 1986.

(...) A mão de Pennacchi não treme, seu olho continua sensível às cores. O clima do conjunto é sereno e respeitável”.

O conceito de simplicitas central na tradição clássica do pensamento ocidental refere-se, antes de mais nada, à sentença evangélica: Se teu olho for simples, todo o teu corpo estará na luz (Mt 6,22).

Uma tal simplicitas do espírito é condição de captação do objeto, fonte e princípio da arte e do filosofar autênticos.
Prof. Dr. Luiz Jean Lauand, 1986.

A noite é rica, ainda que na favela. O balão central, dominante, rodeado de meninos. O morro grimpando ao fundo ladeiras de casebres. E árvore, e poste, e galinhas ciscando. No popular, a vida se povoa sempre. Inclusive das celebrações que naturais a balizam, alegremente.
O recado está dado: viver não cansa.
Ricardo Ramos in O Redescobrimento do Brasil
Mostra na Ranulpho, Galeria de Arte, em São Paulo, 1987.

(...) É raro que um artista tenha clara consciência do alcance filosófico de sua arte: um pintor pinta e não filosofa. A Reflexão filosófica lida com conceitos; a arte, com formas sensíveis e concretas.

No entanto, há casos excepcionais de pintores que rompem o circuito realidade-sensibilidade-obra de arte .  Ampliam-no: realidade-sensibilidade-obra de arte-consciência reflexiva.  É o caso de Fulvio Pennacchi.

Sempre me surpreendeu o modo como esse pintor atina com o complexo conceito filosófico-teológico da Criação, de fato central em sua arte.

(...) Vita e Amore, uma poesia composta por Pennacchi em 1942  excede toda e qualquer expectativa de sintonia  com o que de mais essencial tem ensinado a tradição  de pensamento ocidental a respeito do homem...  Felicidade e contemplação, felicidade é contemplação:  eis uma tese em que unanimemente coincidem  os quatro grandes da tradição ocidental:  Platão, Aristóteles, Agostinho e Tomás. (...) Precisamente isto é o que é evidenciado  pelas pinturas e cerâmicas de Pennacchi  (e não me refiro aqui ao artista sacro):  saber ver a realidade simples e quotidiana...  e surpreender aí o próprio fundamento do mundo:  tudo o que é, é bom; é amdo por Deus.  E mais, é porque é amado por Deus.

(...) E Pennacchi o expressou já há quase 50 anos:

Vita e Amore

Como me encanta o ver;
em torno a mim é sempre tudo novo,
Sempre nova é a gente que passa e brinca,
E chora e sorri: o cão late,
A árvore dá fruto, os pássaros cantam alegres e rumorosos,
Gosto de estar só, contemplando com vagar as belezas eternas da Criação,
Se leio me aprisiono em um mundo, feito por um homem,
Livre, que belo, estar no campo,
viver no mundo do Criador,
Mundo que freqüentemente parece triste,
Mas que em essência é todo feito de amor!
Prof. Dr. Jean Luiz Lauand, in Fulvio Pennacchi: 60 anos de pintura e sabedoria, O Estado de São Paulo,  24.03.1987.

(...) sabendo que a doença se havia agravado, fui visitá-lo juntamente com Padre Cláudio (...) se encontrava imóvel no leito, sereno, silencioso e preparado para o grande passo. Rezamos muito e lhe demos a Bênção dos Enfermos.

A seu lado, sempre atenta a fiel esposa, Filomena Maria, que com muita dignidade e doçura o contemplava com os olhos do primeiro encanto.
Padre Orazio Cappellari, agosto de 1992.

Guardando sempre a sólida formação italiana, Fulvio Pennacchi foi profundamente brasileiro: não só por ter vivido aqui 63 dos seus 87 anos, mas, principalmente, porque a imigração o trouxe ao país em que a gente do povo espontaneamente vive (ou vivia...) realidades e valores...
sob medida para sua peculiar sensibilidade artística;
a simplicidade,  a fraternidade, o acolhimento, a festa, o amor.
identificou-se com o Brasil que lhe forneceu matéria prima para uma arte original e profunda; seus quadros são algo assim como delicados chorinhos compostos por um erudito clássico.
Professor Doutor Luiz Jean Lauand, Outubro, 1992.

...curiosamente, Pennacchi compreendeu e captou um lado autêntico
da brasilidade, inclusive social:
seus lavradores estão, muitas vezes, cançados,
mas há neles mais resignação do que revolta.
A elegância permanente na pintura de Pennacchi,
com seu colorido refinado
e com o próprio saber artesanal que o seduziu sempre...
de qualquer forma o conjunto é límpido,
como límpida se revelam a personalidade
e o caráter do pintor.
Olívio Tavares de Araújo in O Estado de São Paulo, 06.10.1992.

Pennacchi era a reserva religiosa do grupo (referindo-se ao Grupo Santa Helena) Um artesão formado pela Academia de Lucca,  capaz de manter viva a tradição do afresco mural; o pintor italiano reelaborou a sintaxe da pintura renascentista.
Mais: foi uma espécie de Tarkovsky da pintura, capaz de comover o mundo ateu com suas extemporâneas figuras de santos.
Antonio Gonçalves Filho, 1995.

... ali, a casa cercada por jardins é a reconstituição saudosa de uma Toscana perdida, é a concreção ansiosa do desejo de recuperar o silêncio dos velhos solares florentinos...

Pennacchi não apenas cria a residência e povoa-a com seus afrescos quase sempre de temas piedosos e quase sempre italianos.

Não: ele concebe os móveis principais, seus utensílios mais cotidianos, desenha os temas das almofadas, toalhas e lençóis que em seguida sua mulher irá bordar.

Sua residência, pensada em sua totalidade, sem dúvida é o momento culminante da obra do artista, momento em que ele expande para a realidade concreta a espacialidade alusiva de sua obra pictórica.

Ao que se sabe, nenhum outro artista no Brasil foi tão radical quanto Fulvio Pennacchi nessa empreitada de estetização da própria vida.

Sua Itália idealizada, mais do que em sua fase santelenista, ganhava cada vez mais ares de brasilidade. Suas obras tardias tentavam recriar no plano da visualidade, um país ideal — misto da terra longínqua de seus pais e da terra nova de seus filhos!
Prof. Dr. Tadeu Chiarelli, 1999.

O talento se fez carne e habitou entre nós. Chamava-se Fúlvio Pennacchi (1905-1992) e faria cem anos dois dias depois deste Natal de 2005. Nele, o verbo se fez imagem e se fez vida e sonho.

Em 1942, reuniu ao redor do menino anunciado, o anjo e os pastores da Natividade no presbitério de uma nova Igreja encravada ao pé da colina de Piratininga. Lugar em que viviam e vivem ainda os mais pobres moradores daquela ponta de várzea desgarrada do Brás proletário.  Era para que testemunhassem novamente o nascimento do Filho do Homem, ali na Igreja de Nossa Senhora da Paz, na rua do Glicério nº 225, entre cortiços e casas em ruína, ruas que o tempo povoaria com moradores sem teto, os que não tem onde reclinar a cabeça, catadores de papel, recicladores de lixo, não raro tratados como dejetos eles próprios. Aqueles em cujos olhos já não há lágrimas, em cujo tempo já não há o consolo da esperança.

A Igreja da Paz é a igreja dos migrantes, dos que buscam um lugar no mundo, a igreja de São Paulo em que a Natividade é permanentemente celebrada e no meio dos pobres, a vida anunciada, a esperança proclamada todos os dias nos belos afrescos de suas paredes. Nas outras, tem precedência o Cristo sofredor da Paixão cruenta.

Na igreja do Glicério, o Cristo dos simples não acusa a nossa consciência. Convida o coração, de quem crê e também de quem não crê, ou crê diferentemente, à comunhão e à paz. É o Cristo da conciliação e da inocência. É impossível não retornar ali para contemplar em silêncio aquele mistério. Pennacchi não convocou os Reis Magos do Evangelho de Mateus, que vieram do oriente trazendo incenso, mirra e ouro para o recém-nascido. Preferiu o Evangelho de Lucas, para encontrar ao redor de Jesus Menino, de Maria e de José os pastores da noite. Entre os que visitam o menino despojado que repousa sobre o nada do chão, está uma mulher com uma criança no colo. É a última dos últimos no mural, o lembrete da profecia de nossas folias-do-Divino, de que o rei nascerá do povo.

Há no belo afresco um evangelho segundo Pennacchi. Esse inspirado toscano de Vila Collemandina, Lucca, Itália, veio para São Paulo em 1929 tentar a vida. Fora aluno do Real Instituto de Belas Artes, de Lucca. Em São Paulo, com irmãos, foi dono de dois açougues. Disso vivia. Seis anos depois, foi dos primeiros membros do Grupo Santa Helena. Compartilhou sala com Rebolo no edifício da praça da Sé.

Sua obra contém símbolos precisos de sua concepção de povo brasileiro: a viola e o violeiro, o cachorro companheiro do caipira, as galinhas no terreiro, a bandeirola de um santo junino no mastro, onde por tradição se prende a espiga de milho da primícia, a primeira colhida, o primeiro fruto do trabalho e da terra, a oferenda. Um cachorro magro ouve atento o violeiro num detalhe dos afrescos do Hotel Toriba, em Campos do Jordão, apreciando seu naco de música.  Pennacchi suavizou as cores e formas do Brasil para anunciar a beleza dos simples.
José de Souza Martins
Professor titular de Sociologia da Faculdade de Filosofia da USP

Alguns anos atrás, por ocasião da exposição comemorativa do cinqüentenário da vinda de Pennacchi para o Brasil, escrevi: ...pela sua sensibilidade, talento e simplicidade, Pennacchi transformou-se no intérprete plástico do poético e bucólico mundo da gente humilde do campo.

Hoje, melhor entendo sua vida e obra, e diria que ele foi um intérprete da vida do campo ou da cidade. Retomando Goethe conceitualmente, Pennacchi certamente não peregrinou nas Barbizon e Fontainebleau tropicais, seja por ilusão de chegar a algum lugar, seja pela de descobrir algo novo. Aqui veio para viver enquanto viajava, para compreender o que via, contemplar e dar forma às descobertas propiciadas por sua experiência.

A vida-obra de Fulvio Pennacchi é a experiência da descoberta do seu Brasil absorvido e decodificado pela ótica do universal, do eterno.
Valerio Pennacchi.

Exposições Individuais, Coletivas e Póstumas

1936
No final do ano, participa pela primeira vez de uma coletiva – o II Salão Paulista de Belas Artes (São Paulo), organizado pelo Conselho de Orientação Artística do Estado. Recebe o prêmio-aquisição pela pintura Fuga para o Egito, outorgado pela comissão designada pelo governo municipal, presidida pela Sra. Renata Crespi da Silva Prado, esposa do então Prefeito de São Paulo, Fabio Prado.

1939
Integra, em São Paulo, de uma exposição realizada em homenagem a Candido Portinari (1903-1962), pelo prêmio obtido na Exposição Internacional de Pintura (Instituto Carnegie de Pittsburgh, Estados Unidos).

Participa do XLII Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro), do III e IV Salão Paulista de Belas Artes (São Paulo), recebendo nos três a Grande Medalha de Prata. No final do ano, apresenta-se na "Exposição de Pequenos Quadros", no Palácio das Arcadas (São Paulo), onde conhece mais intimamente Rebolo. A exposição, organizada por Torquato Bassi, teve o apoio da Sociedade Paulista de Belas Artes (depois denominada Sindicato), realizada com o objetivo de angariar fundos destinados a obras de caridade. Sergio Milliet compra a obra Enterrar os mortos, posteriormente readquirida pelo artista e repintada (o céu, hoje de cor viva, resulta da intervenção feita na década de 1980). Piccolo também adquire obras do artista.

Integra o I Salão da Família Artística Paulista, organizado por Paulo Rossi Osir e Vittorio Gobbis, no Hotel Esplanada (São Paulo). O catálogo tem a apresentação de Paulo Mendes de Almeida. Pennacchi expõe as pinturas Virgem com o Filho, Ceia dos Apóstolos, Paisagem, Natureza-morta e Composição. Participa também do V Salão Paulista de Belas Artes (São Paulo).

Integra o II Salão da Família Artística Paulista, realizado nos salões do Automóvel Clube, à rua Líbero Badaró nº 287. A ilustração da capa do catálogo é de autoria do artista. Participa também do III Salão de Maio, realizado na Galeria Itá, quando é editada a Revista Anual do Salão de Maio – RASM.

1940
Participa do III Salão da Família Artística Paulista, promovido pela Associação dos Artistas Brasileiros e a revista Aspectos. A última coletiva do grupo ocorre no Palace Hotel (Rio de Janeiro).

1941
Em outubro, integra o I Salão de Arte da Feira Nacional de Indústrias, no Parque da Água Branca (São Paulo), organizado por Quirino da Silva, Vittorio Gobbis e o jornalista Elias Chaves Neto. Entre outras obras, apresenta um São Francisco, mencionado em artigo de Mário de Andrade comentando o V Salão do Sindicato8. O evento não teve continuidade.

1942
Em julho, participa do VII Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, na Galeria Prestes Maia. Desde 1936, a Sociedade Paulista de Belas Artes transformava-se em Sindicato dos Artistas Plásticos e Compositores Musicais.

1945
Em junho, apresenta-se individualmente na Galería Müller (Buenos Aires, Argentina), onde expõe 47 pinturas entre óleos, guaches e têmperas, de temas religiosos e de costumes. A exposição foi organizada por Giuseppe Chiappori, com a ajuda de Filomena e de sua governanta Malanie Van Derkel. A mostra foi divulgada pelos jornais La Nación, El Pueblo, La Razón, Correo Literario e um periódico para a comunidade alemã: Argentinisches Tageblatt. É possível que a crítica Margherita Sarfatti, importante divulgadora do Novecento, tenha escrito uma crítica sobre a exposição (não encontrada). Pennacchi entretanto não a conheceu.

Em agosto, integra a “Exposição de Pintura Moderna Brasileira-Norte-Americana” na Galeria Prestes Maia. O evento, proveniente do Rio de Janeiro, era uma iniciativa da empresa comercial Contemporary Arts.

Em outubro, realiza individual na Galeria Itá, apresentando 70 obras: 27 com temas sacros, 43 profanos, entre os quais, sete naturezas-mortas, quatro desenhos, três têmperas e dois afrescos de pequeno porte. Cena Brasileira, considerada pela crítica uma das melhores obras, é adquirida por Cicillo Matarazzo e posteriormente doada ao futuro Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

1946
Em fevereiro, integra com um desenho a coleção da Secção de Arte da Biblioteca Municipal de São Paulo, idealizada por Sergio Milliet.

Participa do XII Salão Paulista de Belas-Artes, na Galeria Prestes Maia.

1949
Em março, integra a coletiva “Exposição de Pintura Paulista”, no Ministério da Educação e Saúde (também patrocinador), no Rio de Janeiro, organizada pela galeria paulista Domus. Também integram a mostra obras de Aldo Bonadei, Alfredo Volpi, Di Cavalcanti, Flávio de Carvalho, Francisco Rebolo Gonsales, José Antonio da Silva, Lúcia Suaré, Nelson Nóbrega, Noêmia Mourão, Quirino da Silva eYolanda Mohalyi. Pennacchi apresenta oito óleos e guaches: Circo, Aldeia, A Bruxa (reproduzida no catálogo), Balão, Esmola, Anunciação, Visitação e Composição.

Participa também do I Salão Baiano de Belas-Artes, realizado no Hotel Bahia, Salvador.

1950-1964
Pennacchi opta por um auto-exílio. Segundo o artista: “por não concordar com o caótico desenvolvimento das artes plásticas nos anos 1950, resolvi voltar para o meu mundo e continuar a pesquisar e trabalhar.”11

1951
Participa da I Bienal de São Paulo, exposição organizada pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo. Pennacchi envia três obras, mas apenas uma é escolhida para integrar a mostra: um afresco sobre reboco com o título Figuras, de 1950.

1953
Integra o XVIII Salão Paulista de Belas-Artes, na Galeria Prestes Maia.

1954
Em maio, participa do III Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia. Integra também a coletiva “Arte contemporânea: exposição do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo”, no mesmo museu.

1960
Participa da coletiva “Cartões de Natal”, organizada pela Galeria Atrium. Impulsionado por Emy Bonfim expõe miniaturas com grande repercussão no meio artístico.

1964
São organizadas individuais na Galeria Azulão e na Galeria de Arte da Casa do Artista Plástico (São Paulo). Na última expõe pinturas e peças de cerâmica.

1966
A partir dessa data, várias exposições do Grupo Santa Helena se sucedem. A primeira delas – “O Grupo Santa Helena, Hoje” – ocorre na Galeria de Arte 4 Planetas. No ano seguinte, o Auditório Itália organiza a mostra “O Grupo Santa Helena: 30 anos depois”.

A partir dessa data, várias exposições do Grupo Santa Helena se sucedem. A primeira delas – “O Grupo Santa Helena, Hoje” – ocorre na Galeria de Arte 4 Planetas. No ano seguinte, o Auditório Itália organiza a mostra “O Grupo Santa Helena: 30 anos depois”.

1970
Em Estoril (Portugal), é convidado a integrar a coletiva “Artistas Ingênuos Brasileiros”, realizada no Cassino Estoril.

1972
Duas importantes exposições ocorrem nesse ano: “A Semana de 22: Antecedentes e Conseqüências”, iniciativa de Pietro Maria Bardi, realizada no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, e “Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois”, organizada por Roberto Pontual, na Galeria Collectio.

Ainda nesse ano, a Galeria Azulão expõe desenhos do Grupo Santa Helena: Bonadei, Graciano, Manuel Martins, Rebolo, Rizzotti, Volpi e Zanini.

1973
Em São Paulo, realizam-se quatro individuais: em abril, no Museu de Arte de São Paulo; em maio, no Circolo Italiano (Edifício Itália) e em novembro, na Espade Galeria de Arte, além de expor individualmente em junho, em Milão (Itália). A retrospectiva do Masp, iniciativa de Pietro Maria Bardi, é sem dúvida a mais importante, permitindo um conhecimento vasto da obra do artista. São apresentadas 152 obras relacionadas na em um impresso, entre pinturas, desenhos, afrescos e cerâmicas (não elencadas). Oito auto-retratos de diferentes períodos são expostos. Os jornais consideram “o ano Pennacchi” pelo conjunto das mostras individuais.

Em agosto, em leilão organizado pela Galeria Collectio, o artista é homenageado com uma individual, na qual são apresentadas 27 pinturas, abrangendo 40 anos de atividade artística. A Galeria Espade também apresenta pinturas do artista.

Integra o Panorama da Arte Atual Brasileira / Pintura, organizado pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo, no qual apresenta as obras: Casamento (1968), Cafezal (1970), Circo (1972) e Aldeia (1973), reproduzida no catálogo. A Uirapuru Galeria de Arte, apresenta “Oito Pintores do Grupo Santa Helena” e a Galeria Azulão, “São Francisco visto pelos artistas...”. Em Milão, o Itamaraty organiza coletiva de artistas brasileiros, da qual Pennacchi faz parte.

O Museu de Arte de São Paulo apresenta cinco desenhos do artista em mostra de doações daquele ano.

1974
Quatro individuais são realizadas: em março, na Galeria Bonfiglioli (São Paulo); retrospectiva na Fundação Cultural do Distrito Federal (Brasília), onde são apresentadas 129 obras, abrangendo o período de 1929 a 1974; na Galeria Oscar Seraphico (Brasília), sob o patrocínio da Embaixada da Itália e o apoio de Yvone Giglioli – Embaixatriz da Itália no Brasil –, e mostra de mini-quadros na Galeria Guimar (São Paulo).    

1975
Apresenta painéis de cerâmica com temas folclóricos, em colaboração com Eunice Pessoa, no Clube Athletico Paulistano (São Paulo). Pennacchi conheceu a ceramista em uma exposição dela e aceitou sua sugestão de trabalharem juntos. Essa mostra é a primeira da dupla.

A Galeria Emy Bonfim expõe 30 telas de Pennacchi e dez painéis cerâmicos de autoria da dupla Pennacchi-Eunice Pessoa.

Em março, o Paço das Artes e o Museu da Imagem e do Som organizam mostra conjunta sobre Pennacchi e o Grupo Santa Helena: “Pennacchi e alguns artistas do Grupo Santa Helena” (Paço) e “Outros pintores do Grupo” (MIS). Integram a exposição obras de Aldo Bonadei, Alfredo Rizzotti, Alfredo Volpi, Clóvis Graciano, Francisco Rebolo Gonsales, Humberto Rosa, Manoel Martins e Mario Zanini. Pennacchi apresenta 12 obras datadas de 1936 a 1950.

Em setembro, os santahelenistas recebem mostra comemorativa pelos 40 anos do grupo também figuram no Palácio das Artes (Galeria Genesco), em Belo Horizonte. Sob a curadoria de Aurora Duarte e Fábio Porchat, são apresentadas obras de Bonadei, Graciano, Rebolo e Volpi, além de Pennacchi.

1976
O artista doa ao MAC/USP 133 desenhos, entre eles, estudos para murais da capela do Hospital das Clínicas, da Capela da Igreja de São Pedro e São Paulo, do Banco Auxiliar de São Paulo e da Liga das Senhoras Católicas, entre outros.

A Galeria Emy Bonfim realiza individual do artista.

Novamente participa do Panorama da Arte Atual Brasileira / Pintura, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, com as obras: Anunciação (1975), Aldeia com balões (1976) e O pão (1976), reproduzida no catálogo.

Em junho, o Museu Lasar Segall apresenta “Os Salões: da Família Artística Paulista, de Maio e do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo”, mostra organizada por Lisbeth Rebollo Gonçalves.

1977
Apresenta-se individualmente na Galeria do Centro Cultural Brasil-Estados Unidos (Santos), em exposição de pinturas (das décadas de 1960 e 1970), desenhos afrescos e cerâmica, em mostra inaugural da Galeria Entreartes e na Galeria do Clube Amigos das Artes (São Paulo).

No Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado (São Paulo), organiza-se a exposição “Grupo Seibi – Grupo Santa Helena: década 35 e 45”.

1978
Integra o III Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras). A Academus Galeria de Arte Decorações (São Paulo) organiza a mostra coletiva “Pequenas Telas – Grandes Pintores”, da qual o artista faz parte.

1979
Em comemoração aos 50 anos de atividade artística no Brasil, na Galeria de Arte Paulo Figueiredo (São Paulo), ocorre a primeira exposição a dar especial ênfase ao desenho. Em junho, a Galeria Oscar Seraphico (Brasília) também homenageia o artista, apresentando pinturas, desenhos e gravuras.

A Uirapuru Galeria de Arte (São Paulo) apresenta exposição sobre o Grupo Santa Helena.

1980
São realizadas três individuais: na Academus Galeria de Artes Decorações, apresentando 30 telas (São Paulo), na Galeria Samson Flexor (Marília) e na Kattya Galeria de Arte (Salvador).

Nesse ano, em 1982 e 1985, novamente integra o Salão de Artes Plásticas da Noroeste (o IV, V e VI) na Fundação Educacional de Penápolis. Participa também da coletiva “Pintores Paisagistas” na Galeria de Arte André (São Paulo).

1981
Desenhos e estudos são apresentados na Galeria Gerot (São Paulo).

1982
Individual do artista marca a inauguração da nova sede da Galeria André (São Paulo).

Em junho, o Museu de Arte Moderna de São Paulo realiza a mostra “Do Modernismo à Bienal”.

1984
A Galeria de Arte André (São Paulo) homenageia o artista na mostra “Pennacchi – sessenta anos de pintura”. Duas outras individuais realizam-se na Galeria Ars, Artis (São Paulo), apresentando estudos, desenhos e obras em técnica mista, e na Galeria Academus, em Curitiba.

Suas obras são apresentadas na coletiva “Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras”, na Fundação Bienal de São Paulo.   

1985
Em comemoração aos 80 anos do artista, são apresentadas três individuais: na Academus Galeria de Arte Decorações (São Paulo), na Galeria Grossman (São Paulo) e no Salão de Convenções do Hotel Bologna, em Campos do Jordão.

Integra o VIII Salão Nacional de Artes Plásticas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. O Museu de Arte de São Paulo apresenta 100 obras da coleção Itaú, e a Galeria Ranulpho (São Paulo), a mostra “As mães e a flor na visão de 33 pintores”.   

1986
Na cidade natal, na Sala Ex-Archivio Provinciale (Castelnuovo di Garfagnana, Lucca, Itália), realiza-se mostra com 40 obras provenientes das coleções das paróquias de Villa Collemandina e de Castiglione e das coleções particulares de Giovanni Giannotti, Nello Pennacchi dei Capitani e Nicolau Pennacchi dei Cannari e Luigi Suffredini. A exposição tem curadoria de Guglielmo Lera e Nicolau Pennacchi.

São realizadas outras duas individuais de grande importância. A primeira, marcando a inauguração da galeria de arte do Banco do Estado de Minas Gerais (São Paulo) e outra, na Galeria Jardim Contemporâneo, numa iniciativa da Secretaria de Cultura de Ribeirão Preto, quando é recebido como hóspede oficial da cidade. No mesmo ano, apresenta óleos, desenhos e trabalhos em técnica mista no salão de convenções do Hotel Savoy, em Campos do Jordão.

Integra, em São Paulo, as coletivas “Artistas e Futebol”, na Galeria Grossman, e “Tempo de Madureza”, na Ranulpho Galeria de Arte.

Nesse ano e nos três seguintes, participa de coletiva organizada pela Sociarte. As três primeiras edições, são apresentadas no Clube Atlético Monte Líbano (São Paulo) e a última na sede da Ripasa, em Americana.

1987
O artista apresenta-se individualmente na Galeria de Arte André (São Paulo).

É homenageado como patrono do VI Salão de Arte, organizado pela Faculdade São Judas (São Paulo), no qual recebe os troféus “Destaque do Ano” e de “Honra ao Mérito”.

Integra a coletiva de Natal na Galeria de Arte André (São Paulo) e “Seis Figurativos”, na Galeria do Banco do Estado de Minas Gerais (São Paulo). 

Participa da “Exposição de Arte Contemporânea”, realizada na Chapel Art Show do Colégio Maria Imaculada (São Paulo). Integrará também as edições de 1988 e de 1989.

1988
Em Curitiba, o artista é contemplado com uma individual na Simões de Assis Galeria de Arte, em junho.

O MAC/USP organiza a mostra “MAC 25 Anos: destaques da coleção inicial”, da qual o artista faz parte com a obra Cena Brasileira. A Ranulpho (São Paulo) também realiza a coletiva “O Circo”. No ano seguinte, a mesma galeria apresenta “Trinta e três maneiras de ver o mundo”.

1989
Realiza-se a última individual do artista em vida, na Galeria Jacques Ardies (São Paulo). No fim do ano, a mesma galeria promove o lançamento do livro Ofício de Pennacchi (Gema Design Editora).

1990
É homenageado na XIV Exposição Cultural dos Imigrantes e no I Salão de Artes da Imigração e Integração, em São Paulo.

Suas obras integram mostra da Associação Paulista de Críticos de Arte, no Jockey Club de São Paulo, além da coletiva, em setembro, da mostra “Homenagem a Israel”, organizada pela Associação Amigos de Israel e a Galeria Grossman (São Paulo). Pennacchi doa algumas obras para a associação beneficente.

1991
São apresentadas obras inéditas do artista, realizadas entre 1928 e 1982, na Galeria Ars, Artis (São Paulo).

1992
Morre em 5 de outubro, depois de longa enfermidade. Está enterrado no cemitério da Consolação (São Paulo), no jazigo das famílias Matarazzo e Matarazzo-Pennacchi.  

A Biblioteca Municipal Mário de Andrade realiza a importante mostra “O Olhar de Sérgio sobre a Arte Brasileira: desenhos e pinturas”, apresentando obras da coleção do historiador Sérgio Buarque de Hollanda.

Em dezembro, recebe homenagem no leilão de Natal realizado por Aloísio Cravo (São Paulo).

1993
Desde esse ano, sua obra integra diversos eventos póstumos, a começar pela II Exposição de Artistas Ítalo-Brasileiros no Espaço Cu

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